ago 27

O bom de se ter um blog é o fato de poder publicar livremente o que nos passa pela telha.
Fiz esse desenho da moça branca e distraída, que publico aqui, depois de um papo com dois amigos, artistas de primeira: O Sérgio Ferraz, conhecido como Capitão Ferraz, e o Marcelo Ferreira, camarada dos tempos de Estadão. Dedico essa ilustra a eles. Vida longa e sucesso!!

Moça distraída

Moça distraída

ago 27

Eu sou um ilustrador e, como tal, gosto das histórias em quadrinhos. Por gostar das HQs não tenho como deixar de apreciar um dos produtos resultantes delas: os jogos eletrônicos. Mas, daí a ver meu filho em frente à TV, com “sangue nos olhos”, e o corpo todo tremendo pela emoção de explodir as mais diversas criaturas, numa atitude que deixaria qualquer “partidário” da Al-Qaeda assustado, não dá!
Assim, aconselhado por um amigo, para o bem dos meninos, e da humanidade, resolvi tomar uma atitude: apresentar-lhes o escotismo.
Talvez essa fosse uma maneira de ampliar o contato deles com a natureza, expô-los mais ao sol, além de apresentar-lhes velhos e saudáveis valores humanos.
Descobri onde os escoteiros reuniam-se, e, decidido, acordei num sábado bem cedo para levar um dos garotos ao “acampamento”.
Para minha surpresa nada havia mudado. Estavam lá as bermudas curtas, os lenços no pescoço, as bandeiras, os sinais de mão, as cordas etc. Uma viagem pelo túnel do tempo, de volta aos anos sessenta!
Meu filho, com muito boa vontade, passou um dia inteiro na companhia dos seres camuflados. Cumpriu todos os rituais, os cumprimentos, as normas e trabalhos.
No fim da tarde, quando fui buscá-lo, perguntei o que ele tinha achado da aventura.
Ele respondeu com um sorriso no rosto: “cômico!”
Tive de concordar e, confesso, até admirei o bom senso do garoto.
Acho que os escoteiros precisavam se adequar aos novos tempos. Aquelas Bermudas não pegam bem nos dias de hoje. O gestual então, nem se fala!
Além do mais, os animais utilizados como símbolos ainda são todos da fauna norte-americana: o urso, o esquilo, o quati etc. Por que não um lobo-guará, um macaco-prego, um carcará?
Vou ter que descobrir outra maneira de afastar as crianças da mortandade virtual!

escoteiros - sempre alerta?

escoteiros – sempre alerta?

ago 27

Acho interessante rever uns trabalhos após a passagem do tempo.
Eis que, revendo antigos arquivos, me deparei com esses personagens feitos para um estúdio de design. O cliente final era a Nazca Cosméticos e o produto era o shampoo infantil Acqua Kid’s, que meus filhos usaram adoidado.
Toda vez que o menorzinho ia lavar a cabeça olhava para a tartaruguinha da embalagem e dizia: “tartaruguinha do papai”.
Bom, né!? Pois é!
Era tão bonitinho vê-lo falar assim, que boa parte da grana que ganhei criando o personagem, gastei em shampoo.
Mas pra chegar na tal tartaruguinha, papai deu uma bela ralada.
Olha aí quantas figuras saíram da prancha, antes de baixar nas gôndolas dos mercados de todo o Brasil.
Depois, por motivos vários, outras ilustrações foram feitas para novos produtos da linha, outros artistas entraram no processo e até comercial com desenho animado para a TV fizeram, usando o meu querido quelônio.
Mas o primeirão foi meu, uai!
O fato é que para chegar à tartaruga, passei por vária fases:
O anjo, o dragão, o ET e, por fim, a bom réptil a quem, como pai, chamarei Chico, em homenagem a meu filhote da cabeça “mui” limpa.

anjo - primeira proposta

anjo – primeira proposta

dragão - segunda proposta

dragão – segunda proposta

ET - terceira proposta

ET – terceira proposta

tartaruga - proposta aprovada

tartaruga – proposta aprovada

ago 14

Cacilda!
Parece que já se passaram duzentos anos desde o dia em que odiei Machado de Assis pela primeira vez, e, todavia, estaremos comemorando os cem anos de sua morte apenas agora, em Setembro!
Calma, calma! Hoje eu adoro Machado de Assis. Eu entendo o texto, a inteligência, o maravilhoso uso da ironia . Sou maduro para isso. Graaande Machado de Assis!
O problema está na forma como algumas escolas empurravam sua obra, e a de outros autores, goela abaixo.
Eu penei na mão de professores que quase assassinaram a obra do grande mestre.
É fácil perceber que a molecada ainda não consegue assimilar Machado de Assis. Certamente ainda a continuam empurrando a seco pelas gargantas juvenis abaixo.
Coitadas das escolas! Tão preocupadas com os Vestibulares, com as notas do MEC e com tantas outras coisas que não encontram formas novas de expor literatura para seus alunos.
A pedagogia empoeirada, a falta de criatividade e de amor pela coisa! Pobres professores, tentando fazer meninos e meninas, estimulados pelas imagens coloridas, tridimensionais e sensuais da TV e dos jogos interativos, pelos diálogos vivos e rápidos da internet, compreenderem os olhos de ressaca da Capitu, em livros marrons, de folhas amareladas.
Ah, se no meu tempo existissem trabalhos como o de Gabriel Bá e Fábio Moon, que deram nova roupagem para o Alienista. Ou projetos como o que deve utilizar os quadrinhos de Newton Foot, Jô de Oliveira, Spacca e Maringoni, que vi anunciado no site “Universo HQ”.
Certamente teremos, com o centenário da morte de Machado de Assis, uma nova leva de obras reeditadas.
Que venham! Mas que sejam atraentes, coloridas e muito ilustradas! Todos nós merecemos!

O imortal Machado de Assis

Machado de Assis de Marcos Guilherme

Acima vemos “O Alienista”, obra de Machado de Assis, com ilustrações de Gabriel Bá e Fábio Moon.

ago 14

A animação da Anistia Internacional para uma campanha de arrecadação de assinaturas me sensibilizou. Resolvi, assim, fazer uma ilustração sobre o tema, que segue logo abaixo.
Para quem não viu o video, ele vem adiante.

Força bruta

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ago 12

Que fique bem claro: não tenho a menor pretensão de ser criativo ou engraçado nesse blog. Nem de falar a verdade.
Considere que a segunda afirmação elimina a primeira, e a primeira imprime a segunda algum traço de sarcasmo irônico.
Portanto, se você chegou até aqui, já sabe o que vem pela frente: uma exposição de uma visão despretensiosa, pessoal, e comum de fatos que me rodeiam. Sem a presunção de ter respostas e certezas, nem a intenção de fazer qualquer esforço para uma atitude criativa e humorística.
Escrevo neste blog pelo simples fato de não querer bater minhas botas antes de expressar alguma opinião. Ainda que minha opinião não tenha, a rigor, a menor importância. Aliás, como a maioria das opiniões nesses dias de muita informação e pouca sabedoria que correm.
Apresentarei livremente aqui as mesmas opiniões que já expressei de forma clara a meus amigos mais íntimos: meu cachorro Pipoca e um cacto que toma sol, indiferente, em meu jardim, a quem chamarei Hélio.
O cachorro, meu ingênuo Pipoca, parece gostar de minhas opiniões. O cacto, talvez por sua natureza cética e indiferente, não diz nada. Portanto, até o presente momento, quem não gostou de minhas opiniões reveladas, calou-se. Isso me levou a crer que devia esparramar meus pontos de vista por aí. Devo admitir que desejo alguma reação clara, honesta e veemente das pessoas que lerem os textos que pretendo escrever (com a permissão da deusa da preguiça).
Pretendo expor algumas ilustrações minhas. Umas charges, caricaturas, entre outras, para que minha opinião não seja exposta assim, a seco, apenas por palavras. Talvez algumas fotos, quem sabe?! Até mesmo alguns vídeos. Por que não?
Isso tudo com o propósito de tornar mais agradável a visualização de minha árdua tarefa.

o cachorro eo cacto, meus confidentes

o cachorro e o cacto, meus confidentes

ago 12

Não posso deixar de registrar aqui minha alegria por ter sido surpreendido ao ver um trabalho meu pirateado.
Calma, eu não sou a favor da pirataria. Me explico:
Eu dirigia tranquilamente pela Avenida Tiradentes, em São Paulo quando, como de costume, um jovem atleta dos semáforos pendurou um saquinho com bloquinhos de anotações no meu retrovisor. Sim, agora eles não vendem apenas chicletes e afins, mas também bloquinhos, canetas, óculos etc.
Pois bem, lancei meu olhar distraído sobre o produto e, qual não foi minha surpresa: uma ilustração que eu havia feito para uma grande marca de cadernos estava impressa na capa do bloquinho.
Não pensei duas vezes, pedi logo dois exemplares do produto.
Saber que estão pirateando minhas ilustrações me vale como um termômetro de aceitação de meu trabalho pelo olhar comum. Um prêmio que eu chamarei de Troféu Perna de Pau.
A empresa que comprou meu trabalho não deve ter gostado, mas o que eu posso fazer se os pernas-de-pau invadiram todas as cidades com seus papagaios nas costas?

Taí o bloquinho pirateado

Taí o bloquinho pirateado

a imagem de um empreendedor destemido

a imagem de um empreendedor destemido

ago 12

Meu pai já me dizia, quando saia da rotina e ia para algum lugar diferente ou distante de casa: “Vou levar as vistas pra pastar!”.
Pois então, levando eu dia desses as vistas para um pasto novo, coisa que um ilustrador deve fazer com alguma freqüência, para o bem da profissão, vi uma cena que poderia facilmente passar despercebida, mas que não me escapou.
Bem, não era um dia comum. Eu circulava por São Paulo acompanhado de meus filhos, de uma sobrinha e de minha esposa. Era um sábado e tínhamos acabado de sair da Praça da Liberdade, onde havia uma luz fantástica e um vento estranho balançando uma infinidade de enfeites japoneses enormes. Eu me sentia meio embriagado pela luminosidade do dia e pelo movimento que o vento dava aos enfeites, enquanto mostrava a cidade para os olhos de meus filhos, acostumados ao verde de Atibaia, onde vivemos, e para os olhos mineiros de Juju, minha sobrinha.
Para quem vive cercado de montanhas e árvores, a cidade grande é pasto valioso! Há muito que se ver!
Numa curva próxima ao viaduto que liga a Avenida Liberdade à Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, fui tomado por uma sensação incomum ao perceber um detalhe destacado na imensa colcha de retalhos da cidade. Havia ali uma casa antiga, que mal se sustentava, mas que tinha a sobriedade de uma tia velha.
O caixilho torto queria revelar o interior sombrio do prédio para o mundo, mas, para evitar que isso acontecesse, o proprietário o tapara com umas tábuas apodrecidas e tijolos mal assentados. Sobrava, assim, pouco espaço para quem estava dentro da casa ver o lado de fora, e vice-versa.
O relevante nisso tudo era a presença de um meninote de cinco ou seis anos, olhos arregalados de assombro, assistindo curioso o mundão de telhas, antenas e paredes à sua frente.
Eu procurava uma saída para a Avenida 23 de Maio. Íamos para o planetário do Ibirapuera apreciar as estrelas.
Parei o carro e fiquei olhando para o menino; ele para mim.
Uma eternidade de dois minutos.
Todos no carro olharam para o garoto que, tendo o rostinho encoberto por uma chupeta azul, nos acenou.
O menino era lindo e parecia preso dentro da casa, contra a própria vontade.
De repente, o garoto subiu no parapeito da janela despencada, abriu seus bracinhos magros e… saltou em direção às primeiras estrelas da noite.
A luz lilás do fim da tarde era tão fantástica que, naquele momento não estranhamos a cena. Talvez fosse um sonho, onde tudo é possível.
Meia hora mais tarde, sentados nas cadeiras confortáveis do planetário pudemos ver, no céu estrelado da abóbada artificial, o garoto passar rapidamente em vôo rasante!

Um menino olhava o mundo da janela da casa velha no bairro da  Bela Vista em São Paulo

O menino olhava o mundo da velha janela

ago 12

Eu me lembro, e não é por puro saudosismo, que há alguns anos atrás tínhamos como definição de olimpíadas algo ligado ao esporte amador. Tudo era uma questão de amor pela coisa: o importante era estar lá competindo. É evidente que não era uma definição realista, era idealização.
Digo isso por que, dia desses, meu filho me perguntou como é que funcionava esse negócio de olimpíada. Quem, afinal, podia participar de uma? Eu comecei a responder e dei-me conta de que meu conhecimento a respeito estava defasado.
Quem pode participar de uma olimpíada? É negócio para amador, ainda? Não, não é. O Ronaldinho gaúcho está lá, e de amador ele não tem nada. É uma questão de idade? Também não deve ser! Tem uma nadadora brasileira que já não é mais tão nova, ainda que esteja bem enxuta.
Enfim, não soube responder!
Tudo o que sei é que o tal do esporte amador nas Olimpíadas é assunto polêmico e antigo.
O fato é que vivemos um período de grande competitividade em todas as áreas, principalmente nos esportes. A exigência de entrar para ganhar requer, evidentemente, um alto grau de profissionalismo. Patrocínios milionários, roupas, tênis e acessórios com altíssimas tecnologias.
Essa competitividade toda fica evidenciada, para mim, na figura do Michael Phelps. Não sei como um sujeito consegue suportar a pressão de ser o atleta mais observado e exigido dessas olimpíadas, em Pequim. A expectativa das oito medalhas que ele deve ganhar afogaria qualquer atleta menos preparado.
Com toda essa pressão, o ideal olímpico de valorizar a participação honesta de um atleta vai por água abaixo. Torna-se até ingênuo.

As oito medalhas de Phelps

As oito medalhas de Phelps

ago 11

Ainda há poucos dias ouvi uma frase que já fazia algum tempo não ouvia. Uma amiga dizia que era temente a Deus.
Esse negócio de temer a Deus nunca me soou bem. Com todo o respeito aos tementes, claro. É apenas uma questão do uso de um vocábulo, nada mais. Cada um teme o que quer, à sua maneira.
Vi então que, no dicionário, a palavra temer está associada tanto ao medo quanto ao respeito excessivo. Fiquei, então, perguntando-me quais são meus temores. Percebi que o respeito, quando gerado por uma imposição de força, está mesmo ligado ao medo.
Bem, para ilustrar isso, fiz uma sequenciazinha de criaturas ilustradas, presentes em nosso dia-a-dia, que me provocam medo ou respeito: TEMOR!

pitbull artefiguras

pitbull

O pitbul: Meu temor urbano número 1.

médico artefiguras

médico

Os médicos, esses semi-deuses, talvez me inspirem a mesma espécie de temor que Deus inspira em minha amiga: o da manipulação da vida e da morte.
A frieza do olhar superior de um médico pode congelar o coração mais fervoroso.
Para dar um exemplo disso, conto aqui um caso que aconteceu comigo:
Um dia desses, sentindo uma forte dor no dedão do pé, resolvi, contra todas as minhas crenças, dar um pulo em um ortopedista. Afinal de contas, para que eu pago um convênio médico, além de meus impostos?
Fui recebido friamente, como era esperado, por um douto senhor de branco.
_O que você tem? Ele perguntou.
Acuado pela imagem da sabedoria, resolvi não fazer feio. Não poderia dizer que estava com uma dor no dedão do pé. Não poderia chamar o dedão de dedão. Pegava mal! Assim, lamentavelmente, em um momento de descuido eu respondi:
_ Tenho uma dor no polegar do pé.
O médico me congelou com seu olhar de superioridade e disse:
_Então temos um problema realmente muito sério: um polegar no pé. É o primeiro caso que vejo em vinte anos de profissão.
Minha cara quase caiu!
_Como devo chamar o dedão, então? Perguntei.
_Halux, disse o semi-deus.
_Então temos um problema maior do que eu imaginava: Tenho um halux no pé e nunca soube! Eu respondi.
O médico nem sorriu. Me disse para trocar de sapato e passar bem.

Motorista de caminhão artefiguras

Motorista de caminhão

O motorista de caminhão. Que motorista não teme?

motoboy artefiguras

motoboy

O motoboy: quem mora em São Paulo sabe do que estou falando.

freira artefiguras

freira

A freira: Não sei exatamente como nomear a sensação que me causam as freiras. Mas acho que a sensação pode ser chamada temor.

Polícia artefiguras

Polícia

A polícia é um caso de temor de infância. O que difere o polícia do “homem do saco“, aquele que pega as criancinhas, é o fato de o policial ser um personagem do pesadelo infantil que existe na vida real.

político artefiguras

político

Ah, os políticos! Esses eu fiz questão de deixar por últimos. Provocam em nós, os cidadãos comuns, os “instintos mais animais“. Às vezes provocam tais instintos neles mesmos!