set 12

Um grande amigo, o Asa, me perguntou o motivo do uso das figuras de um cavaleiro e seu cavalo em meu logotipo.
Bem, pra explicar teria que ir fundo na questão, começando por sintetizar um pouco o que significa ser ilustrador.
Ilustrar é usar a massa cinzenta pra pensar e representar o que outras pessoas pensam, além de usar muito os músculos das mãos para materializar o que foi pensado.
Para se ter uma idéia, o último livro didático que ilustrei resultou numa batelada de 415 ilustrações. Levando em conta que esse livro foi ilustrado paralelamente a outros 4 projetos, todos com uma média de 300 ilustrações, teremos um total aproximado de 1.615 ilustrações. Esse material todo foi feito entre os meses de Março e Julho. Há que se considerar também que além das ilustrações finalizadas temos esboços, ilustrações reprovadas, alterações de última hora. Ah, é fundamental mencionar que tudo isso ocorre dentro de um prazo restrito a ser cumprido. Essas ilustrações são traçadas a mão, uma a uma, digitalizadas em um escaner e coloridas no computador. Dessa forma, encontrei no cavalo um meio de simbolizar o esforço físico; o estivador do processo. Aquele lado do ilustrador que pega no lápis e traça, que usa a borracha para apagar o traço, que escaneia imagem por imagem, além de lembrar das contas a pagar, do contador que precisa receber a papelada do mês, de conferir o extrato do banco, organizar a agenda, de brigar com a telefônica porque a infernal banda larga está curta; o aspecto braçal do ofício.
O cavaleiro, por sua vez representa o aspecto do ilustrador que leva a fama. O criativo, o sonhador, o engraçado e bom camarada, o premiado; 90% da fama, 10% de participação no processo todo.
É isso! É pesado, mas é bom. Eu gosto. Me divirto com o cavalo, e a ele sou muito grato. Sonho junto com o cavaleiro e agradeço a ele todos os dias pelo caminho que traçamos.

O cavalo trabalhando

O cavalo trabalhando

O cavaleiro contando estrelas

O cavaleiro contando estrelas

set 11


Sempre que chega essa época de eleições políticas me lembro do Robin Hood. Aquele sujeito que roubava dos ricos para dar aos pobres. O personagem lendário avesso à política oficial, até por não ter liberdade para fazer outra coisa que não fosse trabalhar na obscuridade.
Será que se fosse eleito Robin Hood continuaria a ser herói? Provavelmente não!
Mas, caso pudesse eleger-se, por exemplo, xerife de Notingham, como seria sua campanha? Colocaria-se como Salvador da pátria? Defenderia uma mudança imediata e radical em “tudo que está aí” (lá, naquela época)? Beijaria criancinhas? Comeria buchada de bode? Movimentaria as mãos de forma decorada, roboticamente como o ministro Tarso Genro, ou em movimentos amplos como o do senador Pedro Simon? Seria popular como o Lula? Persistente como o Maluf? Empertigado como a Marta?
Será que Robin trocaria a companhia do bom frei Tuck pela dos bispos? Faria um conchavo com o príncipe João? Sim, porque em política o fim justifica os meios. Criaria cargos públicos para seus companheiros de guerrilha?
Acho que eu passaria a ter um pé atrás com Robin Hood, caso ele se candidatasse a um cargo político.
Bem, essa ilustração do Robin Hood eu fiz há alguns anos atrás, para a capa de um livro do Pedro Bandeira, publicado pela Quinteto Editorial. Aproveito para publicá-la aqui e lembrar de um herói que eu sempre gostei, mas que certamente não teria estômago para a política partidária.

Robin Hood

Robin Hood