dez 23

Sabe de uma coisa? Eu gosto do tal Papai Noel. Evidentemente não falo do sujeito de roupinha vermelha dos shopping centers; esse é um chato!

O Papai Noel, tal como imagino, é uma figura que vale a pena trabalhar, numa ilustração. Quando eu faço o tal velhinho, construo sempre uma imagem mental de um sujeito meio hippie, que envelheceu, mas não se acinzentou. Algo assim meio místico, meio alheio ao sistema do “chora menos quem pode mais” que o mundo sempre viveu. Um sábio que vê as pessoas para além da forma como elas se apresentam conscientemente.
Abaixo, o meu “bom velhinho” do cartão desse ano!

Grande abraço a todos!

Esboço Noel

Esboço Noel

Cartão Papai Noel 2008/2009

Cartão Papai Noel 2008/2009

dez 10

O bom seu Amarantino, homem de visão ingenuamente preconceituosa dizia, e eu me lembro bem, como se fosse ontem: “Essa cambada de vagabundo tinha é que arrumar emprego, pegar no pesado, ao invés de ficar mostrando as vergonhas. Esses cabeludos vão é acabar com a descência do mundo”. Assim mesmo, desse jeitinho, dizia seu Amarantino.
Ele referia-se a John Lennon e sua digníssima esposa. Enquanto Lennon e Yoko Ono mostravam-se na “intimidade”, seu Amarantino, coitado, mal podia ver o próprio corpo no espelho. Sacudia de segunda a segunda nos trens de subúrbio, logo às cinco e trinta da madruga.
Depois que o ilustre casal revelou suas nádegas para os fotógrafos, o velho Amarantino, ou seu Tino, como era conhecido, tomou os ilustres cônjuges  como os culpados pelos males da humanidade. Não adiantava retrucar, dizer das intenções pacifistas do casal. Seu Tino não engolia. Para ele, paz era suor, comida na mesa e vergonha na cara. “Isso é a calamidade, é a obra do vermelho”; dessa forma o velhinho enrugado referia-se ao dono das profundezas do inferno.
Em oito de Dezembro de 1980, eu me lembro que o natal estava chegando, seu Amarantino resolveu sair da rotina, parou no boteco, coisa rara de ver o infeliz fazer. Encheu a cara de cachaça e, voltando a casa, foi atropelado por uma composição ferroviária, ao atravessar a linha. Naquele mesmo momento, John Lennon era assassinado em New York.
Ao ser acudido, prestes a morrer, seu Tino apenas teve o tempo de suspirar algo parecido como: “All you need is love!”

John Lennon e Yoko Ono

John Lennon e Yoko Ono

dez 5

Como disse em minha primeira postagem neste blog, há sempre uma possibilidade de ter o fluxo de minhas idéias e de materiais aqui postados interrompidos pela pressão constante da deusa da preguiça. Sim, ela bem que tentou apoderar-se de minha coragem por algum tempo, mas eu consegui resistir bravamente. Todavia, o deus do tempo curto, andou por perto. Ele age de forma mansa, apropriando-se de nós aos poucos, gradativamente.
Mas eu consegui pedir licença a esses deuses pagãos e voltei a escrever e postar por aqui.
Dias atrás estive em São Paulo para o lançamento do catálogo de ilustradores de livros infantis e juvenis da SIB (Sociedade dos Ilustradores do Brasil). Muito orgulhoso e satisfeito, apresento abaixo umas ilustrações minhas, presentes no catálogo, que ficou uma beleza! Vejam logo abaixo com os seus próprios olhos.

capa do catálogo da SIB

capa do catálogo da SIB

miolo do catálogo da SIB - ilustrador Marcos Guilherme

miolo do catálogo da SIB – ilustrador Marcos Guilherme