fev 18

Meu amigo Jackson Martins, dono do blog “Viver Paris” http://viverparis.blogspot.com/ , postou lá uma foto muito bonita. Achei que ela, a foto, inspiraria um texto. Daí que eu resolvi me arriscar e escrever e desenhar uma visão pessoal da foto.

A foto do Jack vai postada na sequencia. Vejam que beleza de retrato!

“_ Hein? Deixa de bobagem moleque!” – dizia o pai curtido pelo sal da razão, para o filho ainda sonhador – “O ferro fundido não pensa, assim como não pensam o vidro ou a madeira, nem o concreto armado ou o bronze. Numa cidade, quem pensa, vive e fala são as pessoas!”
Mas o menino podia ouvir assustado o sopro gelado das vozes das ruas. Vozes sobrenaturais: as palavras dos prédios e das portas de ferro, dos carros e das quitandas.
Será que o pai não percebia que se fôssemos extrair de uma cidade aquilo que dizem não ter vida, que não pensa ou fala, e desaparecêssemos com os edifícios, com a arte e os monumentos, a cidade perderia seu sentido e sua voz?
Pense numa cidade como Paris sem seus monumentos, sua arte, seus prédios, metrôs, escadas, postes, edifícios, bancos, toldos e vitrines. Sem o Louvre, a torre Eifell, as pontes sobre o Sena…
Imagine apenas pessoas caminhando em todas as direções, sem as vozes dos monumentos. Não seria Paris! Há uma voz na cidade que não é humana. Uma voz que se ouve de outro jeito, mas que está lá. Definitivamente, os prédios pensam! As pontes, falam! As vitrines, convidam os transeuntes! As esculturas,  cochicham.
De repente, pai e filho pararam na praça de Trocadéro. O pai apreciava o Céu da tarde e, com olhos racionais, observava as trilhas de fumaça dos aviões cruzando uma melancólica escultura . O menino, sonhando acordado, ouvia o sussuro das escuturas de bronze pedindo novidades para os pombos.

Um pombo solitário voou até o caminho dos aviões e pescou notícias de outras cidades, de outras gentes, de outros monumentos.

Uesculescultura e pomba solitária

escultura e pomba solitária

notícias!

notícias!

fev 15

Tem dias em que acordamos com a macaca. O mundo, nosso querido planetinha azul, parece pequeno e apertado como uma calça jeans justa após as festas de fim de ano. A cabeça fica como uma barriga encolhida, atrás do cinto apertado.
Nesses dias precisamos urgente de alguém que nos estabeleça a paz. Que nos ajude a voltar a nos equilibrar na tênue linha do otimismo e da esperança.
Nesses dias, fujo das notícias dos jornais, das rádios e das TVs.
Elas não ajudam em absolutamente nada. Procuro esquecer as injustiças e nem penso em querer consertar aquilo que parece desajustado. Fico calmo. Ouço uma música, uma doce música: Let it be!
Me lembro de quando ouvi essa música dos Beatles pela primeira vez. Eu estava angustiado não sei por qual motivo, então ela tocou na rádio e me tocou. Eu tinha uns doze anos. Perguntei a meu irmão mais velho o significado da expressão e ele disse: “Deixa estar!” e concluiu, “quando algo não estiver bem, pense “Let it be!”, que passa”. Um santo remédio!
E assim, dessa forma, modismos passaram e a “terapia Beatles” sobreviveu.
Pois bem, dia desses acordei de manhã e meu filho mais velho, de 12 anos, estava ao piano tocando “Let it Be”. Tocava bem, com a maturidade e a simplicidade musical que lhe são próprias.
Era uma manhã em que a tal angústia me abraçava forte, me fazendo sufocar.
Levantei e fui até a porta do quarto vê-lo tocar de perto.
O rapazote, que adora os Beatles com o fascínio dos que viveram os anos sessenta, perguntou-me: Que significa “Let it be”?
Eu respondi: “Deixa estar!”
Ele sorriu seu sorriso mais sábio e continuou a tocar. Minha angústia desapareceu. Benditos sejam os Beatles e o meu filho!

Let it be!

Let it be!

fev 2

chuck1

Carisma. Essa é a palavra que se pode destacar quando se vê Chuck Berry em ação. Assisti a um documentário de 1987 que foi exibido dia desses na TV por assinatura. Um encontro entre Chuck Berry e Keith Richards. Keith Richards é exatamente aquilo que eu já imaginava que fosse: Um pop star largadão, de fala mole e sem viço.
Mas, o velho Chuck! Rapaz! Que figura espontânea! Formas de pensar e falar diferentes das convencionais.
Ele contou um pouco da sua vida de garoto pobre e negro, numa época em que ser negro e pobre, nos EUA, era coisa pra “cabra macho”.
Das músicas do documentário, a que eu mais gostei foi Nadine, e pode ser vista pelo “link” acima.
Fiquei impressionado com o velho Chuck Berry e resolvi fazer uma caricatura em homenagem a esse sujeito fantástico.

Chuck Berry

Chuck Berry