mai 12

Taí uma caricatura, ligeira, diga-se de passagem, do Paulo Leminski.
Esse sujeito meio diferente, meio torto, meio fora de prumo, para a primeira batida de olhos, escreveu e disse coisas que abalam uma cabeça estagnada ou distraída.
Sua poesia e seus pensamentos nos revelam verdades escondidas. Coisa de gente mágica!
Leia uma poesia dele:

“BEM NO FUNDO

No fundo, no fundo,

bem lá no fundo,

a gente gostaria

de ver nossos problemas

resolvidos por decreto

a partir desta data,

aquela mágoa sem remédio

é considerada nula

e sobre ela – silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,

maldito seja quem olhar pra trás,

lá pra trás não há nada,

e nada mais

mas problemas não se resolvem,

problemas têm família grande,

e aos domingos saem todos a passear

o problema, sua senhora

e outros pequenos probleminhas”

Duas dicas de “blogues”, pra quem deseja conhecer mais:

http://pauloleminskipoemas.blogspot.com/
http://fundacaopauloleminski.blogspot.com/

Leminski

Leminski

mai 7

Três meninos sobem, todos os dias, a rampa lamacenta da estrada:
O primeiro, sorri e acena, abrindo o caminho;
O segundo, aprecia o entorno, e, distraído, nada vê.
O terceiro carrega todo o peso do mundo. Não entende o sorriso e não gasta tempo com paisagem.
Três irmãos na rampa lamacenta!

três irmãos

três irmãos

 

mai 6

_ Ah, padre Giuseppe, me desculpe confessar aqui no meio da rua, mas pequei!
_ Sim, meu filho, todos pecamos. Mas, me diga: O que te pesa na consciência?
_ Traí um dos mais importantes mandamentos das Sagradas Escrituras.
_ Sim?
_ Sim, padre. Traí a confiança de meu falecido pai, que tinha no Palmeiras, no Verdão, sua última grande alegria na vida. Traí uma profunda herança genética! Sempre fui fiel a todas as escolhas de meu pai.
_ Me conte, filho. Como foi isso?
_ Domingo passado, na final do campeonato paulista, torci pelo Corinthians. O Ronaldo padre! O Ronaldo me levou a isso!
_ Meu filho, isso é grave, muito grave! Reze cem pais-nossos,  cinquenta ave-Marias no santuário de Nossa Senhora Aparecida.
_ Não posso!
_ Por quê?
_ Meu pai era espírita!

FenômenoFenômeno