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Estive no sábado passado, dia 12 de setembro no evento “Primavera dos Livros”, promovido e organizado pela LIBRE, Liga Brasileira das Editoras.
Fui ver como anda a produção de livros infantis e juvenis. Muita coisa boa impressa! Mas, o que mais me motivou e impressionou, foi a palestra “ O que a População da Periferia Lê?”, apresentada pelo grupo que organiza e carrega o projeto do ônibus biblioteca, da prefeitura de São Paulo, nas costas. Empolgante!
Esse projeto é responsável pelo acesso da população de baixíssima renda da periferia paulistana aos livros. Eles emprestam uma quantidade mensal de livros muito maior que a das bibliotecas públicas municipais. O povo mais carente da periferia quase não entra nas bibliotecas. Medo? Sentimento de inferioridade? Falta de estímulo? Não se pode dizer ao certo o motivo pelo qual os prédios municipais afastam a população. Com o ônibus, segundo os palestrantes, ocorre o oposto. O povão chega com vontade e participa entusiasmado.
E o que, afinal, lê a população da periferia?
Segundo os palestrantes, muita poesia!
Mas nem tudo são flores. Há a questão da violência em alguns pontos por onde o ônibus passa. Isso assusta, algumas vezes, mas não impede que o ônibus siga sua rota. Sua missão.
Há também alguns governantes que não fazem esforço para dar continuidade ao projeto, que teve seu início a partir de uma idéia de Mário de Andrade. Como se vê, o conceito não é novo. Se, desde aquele tempo, lá no início do século passado, os políticos tivessem abraçado essa e tantas outras idéias, a periferia paulistana certamente não teria chegado ao estado caótico a que chegou.
Mas, não adianta chorar o tal do leite derramado. As crianças da periferia estão lá. Elas podem reverter parte desse quadro.
Torçamos para que a prefeitura de São Paulo valorize esse projeto. E que os próximos prefeitos o faça seguir sempre adiante cada vez maior e melhor.























