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Eu sou um ilustrador e, como tal, gosto das histórias em quadrinhos. Por gostar das HQs não tenho como deixar de apreciar um dos produtos resultantes delas: os jogos eletrônicos. Mas, daí a ver meu filho em frente à TV, com “sangue nos olhos”, e o corpo todo tremendo pela emoção de explodir as mais diversas criaturas, numa atitude que deixaria qualquer “partidário” da Al-Qaeda assustado, não dá!
Assim, aconselhado por um amigo, para o bem dos meninos, e da humanidade, resolvi tomar uma atitude: apresentar-lhes o escotismo.
Talvez essa fosse uma maneira de ampliar o contato deles com a natureza, expô-los mais ao sol, além de apresentar-lhes velhos e saudáveis valores humanos.
Descobri onde os escoteiros reuniam-se, e, decidido, acordei num sábado bem cedo para levar um dos garotos ao “acampamento”.
Para minha surpresa nada havia mudado. Estavam lá as bermudas curtas, os lenços no pescoço, as bandeiras, os sinais de mão, as cordas etc. Uma viagem pelo túnel do tempo, de volta aos anos sessenta!
Meu filho, com muito boa vontade, passou um dia inteiro na companhia dos seres camuflados. Cumpriu todos os rituais, os cumprimentos, as normas e trabalhos.
No fim da tarde, quando fui buscá-lo, perguntei o que ele tinha achado da aventura.
Ele respondeu com um sorriso no rosto: “cômico!”
Tive de concordar e, confesso, até admirei o bom senso do garoto.
Acho que os escoteiros precisavam se adequar aos novos tempos. Aquelas Bermudas não pegam bem nos dias de hoje. O gestual então, nem se fala!
Além do mais, os animais utilizados como símbolos ainda são todos da fauna norte-americana: o urso, o esquilo, o quati etc. Por que não um lobo-guará, um macaco-prego, um carcará?
Vou ter que descobrir outra maneira de afastar as crianças da mortandade virtual!

escoteiros – sempre alerta?