jun 9

De uns anos pra cá, tenho ilustrado para a revista Pro Teste, da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor. Gosto muito!

É incrível observar a maneira como algumas empresas tratam seus clientes, mesmo com a existência do Código de Defesa do Consumidor. Ilustrando para a Pro Teste, leio casos de arrepiar o cabelo!

As empresas de telefonia, as de cartões de crédito, as de eletrodomésticos, entre outras, às vezes tratam seu clientes como se estivessem fazendo um favor. E o fazem de má-vontade. Um horror!

Toda as manhãs eu rezo, com todo o fervor, para que Deus me proteja de ter algum problema em meu telefone. Só de pensar em falar com o “call center” de uma empresa de telefonia me faz subir a pressão.

Selecionei aqui algumas ilustrações feitas para a Pro Teste, nesse primeiro semestre de 2009.

Sucuri karaokê

Sucuri karaokê

Mico Televisão Dourada

Mico Televisão Dourada

Contrato que não chega, grana que pinga!

Contrato que não chega, grana que pinga!

Cartão de crédito e furo no bolso

Cartão de crédito e furo no bolso

mai 12

Taí uma caricatura, ligeira, diga-se de passagem, do Paulo Leminski.
Esse sujeito meio diferente, meio torto, meio fora de prumo, para a primeira batida de olhos, escreveu e disse coisas que abalam uma cabeça estagnada ou distraída.
Sua poesia e seus pensamentos nos revelam verdades escondidas. Coisa de gente mágica!
Leia uma poesia dele:

“BEM NO FUNDO

No fundo, no fundo,

bem lá no fundo,

a gente gostaria

de ver nossos problemas

resolvidos por decreto

a partir desta data,

aquela mágoa sem remédio

é considerada nula

e sobre ela – silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,

maldito seja quem olhar pra trás,

lá pra trás não há nada,

e nada mais

mas problemas não se resolvem,

problemas têm família grande,

e aos domingos saem todos a passear

o problema, sua senhora

e outros pequenos probleminhas”

Duas dicas de “blogues”, pra quem deseja conhecer mais:

http://pauloleminskipoemas.blogspot.com/

http://fundacaopauloleminski.blogspot.com/

Leminski

Leminski

mai 7

Três meninos sobem, todos os dias, a rampa lamacenta da estrada:
O primeiro, sorri e acena, abrindo o caminho;
O segundo, aprecia o entorno, e, distraído, nada vê.
O terceiro carrega todo o peso do mundo. Não entende o sorriso e não gasta tempo com paisagem.
Três irmãos na rampa lamacenta!

três irmãos

três irmãos

 

mai 6

_ Ah, padre Giuseppe, me desculpe confessar aqui no meio da rua, mas pequei!
_ Sim, meu filho, todos pecamos. Mas, me diga: O que te pesa na consciência?
_ Traí um dos mais importantes mandamentos das Sagradas Escrituras.
_ Sim?
_ Sim, padre. Traí a confiança de meu falecido pai, que tinha no Palmeiras, no Verdão, sua última grande alegria na vida. Traí uma profunda herança genética! Sempre fui fiel a todas as escolhas de meu pai.
_ Me conte, filho. Como foi isso?
_ Domingo passado, na final do campeonato paulista, torci pelo Corinthians. O Ronaldo padre! O Ronaldo me levou a isso!
_ Meu filho, isso é grave, muito grave! Reze cem pais-nossos,  cinquenta ave-Marias no santuário de Nossa Senhora Aparecida.
_ Não posso!
_ Por quê?
_ Meu pai era espírita!

FenômenoFenômeno 

 

abr 30
Crise do Porco

Crise do Porco

dez 10

O bom seu Amarantino, homem de visão ingenuamente preconceituosa dizia, e eu me lembro bem, como se fosse ontem: “Essa cambada de vagabundo tinha é que arrumar emprego, pegar no pesado, ao invés de ficar mostrando as vergonhas. Esses cabeludos vão é acabar com a descência do mundo”. Assim mesmo, desse jeitinho, dizia seu Amarantino.
Ele referia-se a John Lennon e sua digníssima esposa. Enquanto Lennon e Yoko Ono mostravam-se na “intimidade”, seu Amarantino, coitado, mal podia ver o próprio corpo no espelho. Sacudia de segunda a segunda nos trens de subúrbio, logo às cinco e trinta da madruga.
Depois que o ilustre casal revelou suas nádegas para os fotógrafos, o velho Amarantino, ou seu Tino, como era conhecido, tomou os ilustres cônjuges  como os culpados pelos males da humanidade. Não adiantava retrucar, dizer das intenções pacifistas do casal. Seu Tino não engolia. Para ele, paz era suor, comida na mesa e vergonha na cara. “Isso é a calamidade, é a obra do vermelho”; dessa forma o velhinho enrugado referia-se ao dono das profundezas do inferno.
Em oito de Dezembro de 1980, eu me lembro que o natal estava chegando, seu Amarantino resolveu sair da rotina, parou no boteco, coisa rara de ver o infeliz fazer. Encheu a cara de cachaça e, voltando a casa, foi atropelado por uma composição ferroviária, ao atravessar a linha. Naquele mesmo momento, John Lennon era assassinado em New York.
Ao ser acudido, prestes a morrer, seu Tino apenas teve o tempo de suspirar algo parecido como: “All you need is love!”

John Lennon e Yoko Ono

John Lennon e Yoko Ono

nov 3

Dupla humorística americana.

Palin and McCain

Palin and McCain

out 17

Como a crise do sistema financeiro teve seu início nos EUA e me afeta, quer eu queira, quer não, resolvi conceder-me o direito de meter o bedelho no processo eleitoral daquele país. É certo que não influenciarei em nada o resultado. Afinal, nem votar lá, eu voto! Mas opinar é gratuito, saudável e necessário, não é mesmo?
Eu escolho Barack Obama para presidente.
Por quê?
A começar pelo fato de ele ser fisicamente diferente. Um presidente americano negro! Quem diria?
Quebrar a monotonia, fazer as águas moverem-se e as pedras rolarem.
É evidente que esse tipo de posicionamento pode nos fazer cometer sérios equívocos. Veja o caso do Lula: eu votei no petista em seu primeiro mandato. O metalúrgico, barbudo, nordestino, com seu dedo mínimo “transparente”, era uma escolha inevitável para alguém que, como eu, prefere correr o risco de votar em criaturas exóticas. Um risco imenso!
Por esse motivo, a diferença física do presidente americano padrão, por sí só, não basta. O Obama parece um sujeito equilibrado, inteligente. Estarei enganado?
Eu só vou acreditar que o Barack será realmente eleito quando o fato estiver consumado: após seu discurso de posse! Até lá, é bom que ele ande equipado com um belo colete à prova de balas, de preconceitos e de denúncias duvidosas.
Da mesma forma, só terei a certeza de que o torneiro mecânico que eu ajudei a eleger em seu primeiro mandato não se candidatará a um terceiro quando começar a campanha para a eleição presidencial de 2010, e outro candidato tiver sido escolhido pelo PT.
Do jeito que as coisas andam, com o Lula recebendo um apoio tão intenso da populacão e elogiando os imperadores e faraós com seus poderes absolutos mundo a fora, para o constrangimento de seu ministro das relações exteriores, fica difícil crer que ele vá abrir mão do poder. Estarei enganado?

Barack Obama

Barack Obama

set 12

Um grande amigo, o Asa, me perguntou o motivo do uso das figuras de um cavaleiro e seu cavalo em meu logotipo.
Bem, pra explicar teria que ir fundo na questão, começando por sintetizar um pouco o que significa ser ilustrador.
Ilustrar é usar a massa cinzenta pra pensar e representar o que outras pessoas pensam, além de usar muito os músculos das mãos para materializar o que foi pensado.
Para se ter uma idéia, o último livro didático que ilustrei resultou numa batelada de 415 ilustrações. Levando em conta que esse livro foi ilustrado paralelamente a outros 4 projetos, todos com uma média de 300 ilustrações, teremos um total aproximado de 1.615 ilustrações. Esse material todo foi feito entre os meses de Março e Julho. Há que se considerar também que além das ilustrações finalizadas temos esboços, ilustrações reprovadas, alterações de última hora. Ah, é fundamental mencionar que tudo isso ocorre dentro de um prazo restrito a ser cumprido. Essas ilustrações são traçadas a mão, uma a uma, digitalizadas em um escaner e coloridas no computador. Dessa forma, encontrei no cavalo um meio de simbolizar o esforço físico; o estivador do processo. Aquele lado do ilustrador que pega no lápis e traça, que usa a borracha para apagar o traço, que escaneia imagem por imagem, além de lembrar das contas a pagar, do contador que precisa receber a papelada do mês, de conferir o extrato do banco, organizar a agenda, de brigar com a telefônica porque a infernal banda larga está curta; o aspecto braçal do ofício.
O cavaleiro, por sua vez representa o aspecto do ilustrador que leva a fama. O criativo, o sonhador, o engraçado e bom camarada, o premiado; 90% da fama, 10% de participação no processo todo.
É isso! É pesado, mas é bom. Eu gosto. Me divirto com o cavalo, e a ele sou muito grato. Sonho junto com o cavaleiro e agradeço a ele todos os dias pelo caminho que traçamos.

O cavalo trabalhando

O cavalo trabalhando

O cavaleiro contando estrelas

O cavaleiro contando estrelas

ago 12

Eu me lembro, e não é por puro saudosismo, que há alguns anos atrás tínhamos como definição de olimpíadas algo ligado ao esporte amador. Tudo era uma questão de amor pela coisa: o importante era estar lá competindo. É evidente que não era uma definição realista, era idealização.
Digo isso por que, dia desses, meu filho me perguntou como é que funcionava esse negócio de olimpíada. Quem, afinal, podia participar de uma? Eu comecei a responder e dei-me conta de que meu conhecimento a respeito estava defasado.
Quem pode participar de uma olimpíada? É negócio para amador, ainda? Não, não é. O Ronaldinho gaúcho está lá, e de amador ele não tem nada. É uma questão de idade? Também não deve ser! Tem uma nadadora brasileira que já não é mais tão nova, ainda que esteja bem enxuta.
Enfim, não soube responder!
Tudo o que sei é que o tal do esporte amador nas Olimpíadas é assunto polêmico e antigo.
O fato é que vivemos um período de grande competitividade em todas as áreas, principalmente nos esportes. A exigência de entrar para ganhar requer, evidentemente, um alto grau de profissionalismo. Patrocínios milionários, roupas, tênis e acessórios com altíssimas tecnologias.
Essa competitividade toda fica evidenciada, para mim, na figura do Michael Phelps. Não sei como um sujeito consegue suportar a pressão de ser o atleta mais observado e exigido dessas olimpíadas, em Pequim. A expectativa das oito medalhas que ele deve ganhar afogaria qualquer atleta menos preparado.
Com toda essa pressão, o ideal olímpico de valorizar a participação honesta de um atleta vai por água abaixo. Torna-se até ingênuo.

As oito medalhas de Phelps

As oito medalhas de Phelps

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