jun 12

Nas minhas andanças pelo “youtube” encontrei um vídeo da Nina Simone, visto 2.435.622 vezes, até o momento. Eu devo ser responsável por umas 50 exibições desse total. Que figura fantástica e forte é essa mulher. Que artista impecável! Resolvi partilhar  uma caricatura, pôster, que fiz por pura admiração!

Nesses tempos que correm, precisamos lembrar sempre daquilo que nos pertence, daquilo que realmente somos, e é disso que a música fala.

E não esquecer que uma grande quantidade de pessoas, nesse mundão, não têm, ainda hoje, liberdade de simplesmente viver suas potencialidades. O tema ainda é atual!

Não é isso?

Ah, sim, o “link” do vídeo você encontra logo abaixo:

nina2

Nina Simone - Uma Musa

Nina Simone

jun 9

Continuando com meu balanço semestral, publico abaixo algumas ilustrações feitas para livros didáticos.

Não é muito comum fazer caricaturas para livros didáticos, mas às vezes acontece.

Quando ocorre, a missão é desafiante. O desafio está no fato de eu ser, originalmente, um caricaturista, mas um daqueles caricaturistas que gostam de distorcer a fisionomia ao máximo. Isso não é possível de se fazer em livros didáticos. Os editores, compreensivelmente, evitam o excesso. Assim, tenho que me conter; fazer umas caricaturas “light”.

Catulo da Paixão Cearense

Catulo da Paixão Cearense

Alguns escritores

Alguns escritores

Ziraldo

Ziraldo

Luis Fernando Veríssimo

Luis Fernando Veríssimo

Raquel de Queirós

Raquel de Queirós

Mário Quintana

Mário Quintana

Graciliano Ramos

Graciliano Ramos

Cora Coralina

Cora Coralina

Érico Veríssimo

Érico Veríssimo

Lima Barreto

Lima Barreto

Clarisse Lispector

Clarisse Lispector

Ferreira Gullar

Ferreira Gullar

jun 9

O texto “Chico Bolacha” da Cecília Meireles é extremamente gracioso e rico. Tanto no que diz respeito ao uso das palvras, quanto na caracterização dessa personagem rural à moda do Jeca Tatu, de Lobato.  Talvez, por isso, seja adotado com grande frequência pelas editoras, em seus livros didáticos. Eu já ilustrei esse texto umas seis vezes, para editoras diferentes.

O curioso é que enquanto eu ilustrava o meu último “Chico Bolacha” para a editora FTD, meu filho o estudava em sua escola.

No dia das mães, o menino resolveu gravar esse texto que ele havia decorado, acompanhado de uma flauta, ao fundo, com uma música que ele estava estudando na escola para dar de presente para a mãe dele. Chico Bolacha e “Yellow Submarine”, dos Beatles. Uma mistura insólita, mas simpática. Publico aqui para vocês conhecerem o texto, e o talento do meu pimpolho, claro!

Chico Bolacha - FTD

Chico Bolacha – FTD

Download Chico Bolacha, por Chico Andrada

cavaleiro_mp3

jun 9

De uns anos pra cá, tenho ilustrado para a revista Pro Teste, da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor. Gosto muito!

É incrível observar a maneira como algumas empresas tratam seus clientes, mesmo com a existência do Código de Defesa do Consumidor. Ilustrando para a Pro Teste, leio casos de arrepiar o cabelo!

As empresas de telefonia, as de cartões de crédito, as de eletrodomésticos, entre outras, às vezes tratam seu clientes como se estivessem fazendo um favor. E o fazem de má-vontade. Um horror!

Toda as manhãs eu rezo, com todo o fervor, para que Deus me proteja de ter algum problema em meu telefone. Só de pensar em falar com o “call center” de uma empresa de telefonia me faz subir a pressão.

Selecionei aqui algumas ilustrações feitas para a Pro Teste, nesse primeiro semestre de 2009.

Sucuri karaokê

Sucuri karaokê

Mico Televisão Dourada

Mico Televisão Dourada

Contrato que não chega, grana que pinga!

Contrato que não chega, grana que pinga!

Cartão de crédito e furo no bolso

Cartão de crédito e furo no bolso

mai 12

Taí uma caricatura, ligeira, diga-se de passagem, do Paulo Leminski.
Esse sujeito meio diferente, meio torto, meio fora de prumo, para a primeira batida de olhos, escreveu e disse coisas que abalam uma cabeça estagnada ou distraída.
Sua poesia e seus pensamentos nos revelam verdades escondidas. Coisa de gente mágica!
Leia uma poesia dele:

“BEM NO FUNDO

No fundo, no fundo,

bem lá no fundo,

a gente gostaria

de ver nossos problemas

resolvidos por decreto

a partir desta data,

aquela mágoa sem remédio

é considerada nula

e sobre ela – silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,

maldito seja quem olhar pra trás,

lá pra trás não há nada,

e nada mais

mas problemas não se resolvem,

problemas têm família grande,

e aos domingos saem todos a passear

o problema, sua senhora

e outros pequenos probleminhas”

Duas dicas de “blogues”, pra quem deseja conhecer mais:

http://pauloleminskipoemas.blogspot.com/

http://fundacaopauloleminski.blogspot.com/

Leminski

Leminski

mai 7

Três meninos sobem, todos os dias, a rampa lamacenta da estrada:
O primeiro, sorri e acena, abrindo o caminho;
O segundo, aprecia o entorno, e, distraído, nada vê.
O terceiro carrega todo o peso do mundo. Não entende o sorriso e não gasta tempo com paisagem.
Três irmãos na rampa lamacenta!

três irmãos

três irmãos

 

mai 6

_ Ah, padre Giuseppe, me desculpe confessar aqui no meio da rua, mas pequei!
_ Sim, meu filho, todos pecamos. Mas, me diga: O que te pesa na consciência?
_ Traí um dos mais importantes mandamentos das Sagradas Escrituras.
_ Sim?
_ Sim, padre. Traí a confiança de meu falecido pai, que tinha no Palmeiras, no Verdão, sua última grande alegria na vida. Traí uma profunda herança genética! Sempre fui fiel a todas as escolhas de meu pai.
_ Me conte, filho. Como foi isso?
_ Domingo passado, na final do campeonato paulista, torci pelo Corinthians. O Ronaldo padre! O Ronaldo me levou a isso!
_ Meu filho, isso é grave, muito grave! Reze cem pais-nossos,  cinquenta ave-Marias no santuário de Nossa Senhora Aparecida.
_ Não posso!
_ Por quê?
_ Meu pai era espírita!

FenômenoFenômeno 

 

fev 18

Meu amigo Jackson Martins, dono do blog “Viver Paris” http://viverparis.blogspot.com/ , postou lá uma foto muito bonita. Achei que ela, a foto, inspiraria um texto. Daí que eu resolvi me arriscar e escrever e desenhar uma visão pessoal da foto.

A foto do Jack vai postada na sequencia. Vejam que beleza de retrato!

“_ Hein? Deixa de bobagem moleque!” – dizia o pai curtido pelo sal da razão, para o filho ainda sonhador – “O ferro fundido não pensa, assim como não pensam o vidro ou a madeira, nem o concreto armado ou o bronze. Numa cidade, quem pensa, vive e fala são as pessoas!”
Mas o menino podia ouvir assustado o sopro gelado das vozes das ruas. Vozes sobrenaturais: as palavras dos prédios e das portas de ferro, dos carros e das quitandas.
Será que o pai não percebia que se fôssemos extrair de uma cidade aquilo que dizem não ter vida, que não pensa ou fala, e desaparecêssemos com os edifícios, com a arte e os monumentos, a cidade perderia seu sentido e sua voz?
Pense numa cidade como Paris sem seus monumentos, sua arte, seus prédios, metrôs, escadas, postes, edifícios, bancos, toldos e vitrines. Sem o Louvre, a torre Eifell, as pontes sobre o Sena…
Imagine apenas pessoas caminhando em todas as direções, sem as vozes dos monumentos. Não seria Paris! Há uma voz na cidade que não é humana. Uma voz que se ouve de outro jeito, mas que está lá. Definitivamente, os prédios pensam! As pontes, falam! As vitrines, convidam os transeuntes! As esculturas,  cochicham.
De repente, pai e filho pararam na praça de Trocadéro. O pai apreciava o Céu da tarde e, com olhos racionais, observava as trilhas de fumaça dos aviões cruzando uma melancólica escultura . O menino, sonhando acordado, ouvia o sussuro das escuturas de bronze pedindo novidades para os pombos.

Um pombo solitário voou até o caminho dos aviões e pescou notícias de outras cidades, de outras gentes, de outros monumentos.

Uesculescultura e pomba solitária

escultura e pomba solitária

notícias!

notícias!

fev 15

Tem dias em que acordamos com a macaca. O mundo, nosso querido planetinha azul, parece pequeno e apertado como uma calça jeans justa após as festas de fim de ano. A cabeça fica como uma barriga encolhida, atrás do cinto apertado.
Nesses dias precisamos urgente de alguém que nos estabeleça a paz. Que nos ajude a voltar a nos equilibrar na tênue linha do otimismo e da esperança.
Nesses dias, fujo das notícias dos jornais, das rádios e das TVs.
Elas não ajudam em absolutamente nada. Procuro esquecer as injustiças e nem penso em querer consertar aquilo que parece desajustado. Fico calmo. Ouço uma música, uma doce música: Let it be!
Me lembro de quando ouvi essa música dos Beatles pela primeira vez. Eu estava angustiado não sei por qual motivo, então ela tocou na rádio e me tocou. Eu tinha uns doze anos. Perguntei a meu irmão mais velho o significado da expressão e ele disse: “Deixa estar!” e concluiu, “quando algo não estiver bem, pense “Let it be!”, que passa”. Um santo remédio!
E assim, dessa forma, modismos passaram e a “terapia Beatles” sobreviveu.
Pois bem, dia desses acordei de manhã e meu filho mais velho, de 12 anos, estava ao piano tocando “Let it Be”. Tocava bem, com a maturidade e a simplicidade musical que lhe são próprias.
Era uma manhã em que a tal angústia me abraçava forte, me fazendo sufocar.
Levantei e fui até a porta do quarto vê-lo tocar de perto.
O rapazote, que adora os Beatles com o fascínio dos que viveram os anos sessenta, perguntou-me: Que significa “Let it be”?
Eu respondi: “Deixa estar!”
Ele sorriu seu sorriso mais sábio e continuou a tocar. Minha angústia desapareceu. Benditos sejam os Beatles e o meu filho!

Let it be!

Let it be!

fev 2

chuck1

Carisma. Essa é a palavra que se pode destacar quando se vê Chuck Berry em ação. Assisti a um documentário de 1987 que foi exibido dia desses na TV por assinatura. Um encontro entre Chuck Berry e Keith Richards. Keith Richards é exatamente aquilo que eu já imaginava que fosse: Um pop star largadão, de fala mole e sem viço.
Mas, o velho Chuck! Rapaz! Que figura espontânea! Formas de pensar e falar diferentes das convencionais.
Ele contou um pouco da sua vida de garoto pobre e negro, numa época em que ser negro e pobre, nos EUA, era coisa pra “cabra macho”.
Das músicas do documentário, a que eu mais gostei foi Nadine, e pode ser vista pelo “link” acima.
Fiquei impressionado com o velho Chuck Berry e resolvi fazer uma caricatura em homenagem a esse sujeito fantástico.

Chuck Berry

Chuck Berry

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