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	<title>Ilustraletras - Blog &#187; Inferno</title>
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		<title>Blue Card (Parte II)</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Oct 2008 20:22:39 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Homem procura a entrada para o Céu]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8230;</p>
<p style="font-size: 14px;">– Alô, disse-me <strong>Angélica</strong>, antes mesmo que eu compreendesse completamente a paisagem que me rodeava.<br />
Não pensem vocês que depois da longa pausa escura, eu pudesse me recordar de Angélica. Não, as fichas, como numa cabine <strong>telefônica</strong>, iam caindo aos poucos. As lembranças de um falecido são mais lentas que as dos vivos.<br />
Minha mente ainda estava turva, assim como a estranha paisagem à minha volta. Aos poucos fui me recordando do <strong>Blue Card</strong>.<br />
– Alô, Angélica! – Eu respondi  – Como é que eu entro pelo portão do Paraíso? Como uso meus pontos?<br />
– Você tem um cartão telefônico aí? – Perguntou-me a <strong>voz sensual</strong>.<br />
– Não!<br />
Afinal de contas eu não sou <strong>egípcio</strong> e, por isso, não fui enterrado com moedas de ouro, fichas ou cartões telefônicos. Meus bolsos estavam completamente vazios.<br />
– Há alguém no portão do Céu? – Perguntou Angélica.<br />
Coloquei minha cabeça para fora da cabine e pude confirmar que o portão estava vazio.<br />
– Não, não tem!<br />
– Veja se tem alguém no pórtico infernal – Disse a doce voz da diaba.<br />
Olhei, pelo vidro, em direção ao flamejante portão às minhas costas. Naquele momento, um vulto pôde ser visto ali.<br />
– É! Tem, sim – eu disse.<br />
– Pois então, vá até lá – Angélica disse isso e desligou o aparelho na minha cara.<br />
Não me restava outra coisa a fazer, teria de ir até o vulto.<br />
– Maldita Angélica, se te pego! – falei sozinho. Ah, o <strong>pecado da ira</strong>!<br />
A luz do holofote piscava sobre a cabine e nos intervalos, entre uma piscada e outra, o caminho era iluminado apenas pelas labaredas infernais.<br />
A coragem é um bem precioso que sempre nos falta quando indispensável.<br />
Caminhei lenta e relutantemente até o portal em chamas.<br />
O <strong>guardião do inferno</strong>, para minha surpresa, não era um homem, um monstro ou um diabo qualquer. Atrás das grades borbulhantes via-se, sentada numa banqueta, uma velhinha gorducha e simpática com um vestidinho amarelo de chita florida, que só não podia ser entendida como uma pessoa comum pelos corninhos que despontavam do topo da cabeça. Ela tricotava calmamente.<br />
– Boa noite! – Eu disse.<br />
– Noooite, meu filho! –  Ela respondeu com um sorriso maroto no rosto gorducho.<br />
– Hoje num chove não – Completou, olhando para o céu denso.<br />
Que diabo de coisa esquisita, eu pensei.<br />
– Me diga, minha boa senhora, quem é que toma conta daquele portão ali? –  Apontei para o portão azulado do <strong>Céu</strong>.<br />
– Hii, meu filho, aquilo ali tá fechado faz tempo, sô!<br />
– Mas, como é que a gente entra lá?<br />
– Olha, eu tô aqui faz uma eternidade de meses e ainda não vi ninguém entrando, não. Nem saindo!<br />
Eu percebi logo que devia acreditar naquela senhora com ares de <strong>beata de igreja</strong>. De seu olhar atento nada escapava e talvez por isso estivesse vigiando o portal flamejante.<br />
– Sei – eu disse enquanto arrumava um cantinho seco no chão enlameado para sentar-me.<br />
Sentei-me, pois defunto sem corpo também cansa. Na verdade eu não tinha certeza de estar morto, mas olhando para os bizarros portões, além do fato de haver neles uma velhinha com cornos servindo de porteira, só podia indicar que minha passagem para o além havia ocorrido. Ou então era um estranho pesadelo. Tétrico, né? Mas, fazer o quê?<br />
Fiquei ali, sentado, sem saber o que pensar ou para onde ir, com a nítida impressão de que Angélica, aquela malvada havia me enganado. Ah, saudades do <strong>PROCON</strong>! Do código de defesa do consumidor!<br />
De repente, sentia sono e cansaço. Precisava deitar-me. É, nós também nos cansamos!<br />
– Escuta, minha senhora – eu disse. Não haveria um cantinho seco aí onde eu pudesse descansar um bocadinho?<br />
– Sabe menino, se entrar aqui não sai mais não. Além do mais, pra entrar tem que apresentar a papelada. Tem que cumprir as exigências, sabe?<br />
– Que papelada? – Perguntei.<br />
– Olha, tem que passar no cartório e tirar um atestado de maus antecedentes, certidão de mau-caratismo, comprovante de desonestidade. Me traga três vias com firma reconhecida. Aí, enquanto eu providencio a entrega dos papéis a meu superior, você espera de três dias a quatro meses. É lógico que sempre há um jeitinho de facilitar, mas, ultimamente, tá mais difícil de agilizar, sabe?<br />
– E não haveria um lugar qualquer, aqui, do lado de fora, onde eu pudesse descansar?<br />
– Bem, descansar em paz mesmo, aquele descanso eterno gostoso, só lá no <strong>Céu</strong>, sabe. E a entrada principal, pelo que dizem, fica meio longinho, viu?<br />
– Ah, tem uma entrada principal, é?<br />
– Tem sim, menino. Esse portão que você tá vendo aí é o de serviço, sabe como?<br />
– E como é que eu chego no principal? Eu perguntei.<br />
– Sei não.<br />
– E onde eu posso descansar por essa noite? Perguntei.<br />
– Olha, me disseram que tem uns quartinhos pra alugar pras almas errantes solteiras. É só pegar um caminhozinho à esquerda ali. Tá meio amoitado na escuridão, mas se você for apalpando com o pé, você o encontra atrás daquela cabine telefônica.<br />
Levantei-me, agradeci à boa diaba pela atenção e caminhei em direção à cabine. Pagar <strong>aluguel</strong> de quarto para <strong>solteiro</strong>, depois de morto? Era só o que me faltava!<br />
Passei pela cabine e fui procurando o caminho no meio da escuridão, no meio do nada. A noite ia ser eterna!<br />
(continua)</p>
<div id="attachment_216" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.artefiguras.com.br/blog/wp-content/uploads/2008/10/velha.jpg" rel="lightbox[215]"><img class="size-full wp-image-216" title="velha" src="http://www.artefiguras.com.br/blog/wp-content/uploads/2008/10/velha.jpg" alt="A velha " width="500" height="575" /></a><p class="wp-caption-text">A velha </p></div>
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		<title>Blue Card (parte I)</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Oct 2008 19:59:21 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Venda de cartão para facilitar entrada no Céu]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8230;</p>
<p style="font-size: 14px;">No dia em que eu morri, e isso acontece com todos, mais cedo ou mais tarde, fiquei parado, por um bom tempo, num escuro de doer, esperando o bem adquirido.<br />
“Que bem?” você deve estar se perguntando. Eu explico, pois tenho a eternidade para fazê-lo. Além do mais, uma boa conversa é algo que eu não dispenso nem morto. Desculpa-me o trocadilho.<br />
Bem, eu nunca tive muita paciência com esse negócio de tele…<strong>telemarketing</strong>. Sim, de <strong>call center</strong>, essas coisas que andam muito na moda atualmente.. Mas, em um fim de tarde, há tempos atrás, ligou-me uma tal moça de voz muito suave e  charmosa, chamada <strong>Angélica</strong>. A-n-g-é-l-i-c-a. Sim, era esse o nome da criatura.<br />
Me ofereceu um cartão de crédito que, vejam vocês, me dava o direito de <strong>acumular pontos</strong> para minha, absurdo dos absurdos, entrada no <strong>Reino dos Céus</strong>. Hoje eu fico até meio envergonhado de dizer, mas à época…<br />
A princípio, como de costume, eu recusei. Ela, em sua sondagem, calou-se e deixou que eu manifestasse o meu descrédito com relação aos telemarketeiros em geral. Mas, passados alguns instantes, Angélica, aquela diaba, me convenceu a ouví-la; o canto da <strong>sereia</strong>. Ah, o <strong>pecado da luxúria</strong>!<br />
Eu nunca fui católico, evangélico, espírita. Não chegava a ser ateu, ainda que religioso eu não me considerasse. Mas Angélica, aquela fada, me fez assumir crenças que eu mal conhecia, rezar credos que eu desconsiderava, isso em apenas uma chamada. Recursos das vendas por telefone. Aquele povo tem o script da persuasão.<br />
Eu não tinha nada a perder, afinal de contas. Aceitava o cartão, recebia-o em casa, desbloqueava-o, usava-o, não pagava anuidade, e, assim que partisse para o outro lado do muro, para o desconhecido, teria milhas acumuladas, que poderiam ser facilmente trocadas nos portões do Paraíso. Minha entrada e estadia, em tão aprazível destino, estariam garantidas.<br />
Eu não teria aceitado esse negócio evidentemente, em outras circunstâncias, mas a vendedora era Angélica, aquela deusa pagã.<br />
Bem, recebi o tal cartão, envelopado em papel azul da cor do céu. Desbloqueei e usei.<br />
Usei o quanto pude, o mais que pude. Tudo pelo bem de minha <strong>“alma imortal”</strong>; palavras de <strong>Angélica</strong>, aquela falsa.<br />
Geladeira nova , tome cartão. Carro novo, no cartão. Combustível para o carro novo, cartão. Aditivo para o combustível do carro novo, sempre o cartão. E tome cartão, sempre e mais. Pontos e pontos acumulados. Uma obsessão! Ah, o <strong>pecado da vaidade</strong>!<br />
O fato é que o dia de minha morte chegou. Ainda me lembro que a conta do hospital, onde fiquei internado foi paga, como era de se esperar, com o cartão. Pontos e mais pontos acumulados!<br />
O hospital saíra muito caro, mas a esperança de desfrutar dos benefícios prometidos não tinha preço.<br />
Enfim, minha estadia no hospital chegara ao fim. Eu estava finalmente do outro lado, onde todos sabem que chegarão, mas não sabem como.<br />
Aos poucos fui tomando conhecimento de onde estava. A escuridão inicial foi-se desfazendo e minhas vistas, aos poucos, iam construindo a nova paisagem onde me encontrava. Uma encruzilhada: de um lado o azul portão do Céu, do outro as enormes labaredas do impronunciável.<br />
Entre o desejável <strong>Céu</strong> e o temido <strong>inferno</strong>, uma cabine telefônica. Como não houvesse ninguém guardando as duas entradas, dirigi-me, como era de se esperar, à cabine. Retirei o aparelho do gancho e coloquei-o no ouvido.<br />
_ Alô. Ouvi a doce voz de Angélica.</p>
<p>(continua)</p>
<p> </p>
<div id="attachment_172" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.artefiguras.com.br/blog/wp-content/uploads/2008/10/angelica.jpg" rel="lightbox[171]"><img class="size-full wp-image-172 " title="angelica" src="http://www.artefiguras.com.br/blog/wp-content/uploads/2008/10/angelica.jpg" alt="Angélica" width="450" height="733" /></a><p class="wp-caption-text">Angélica</p></div>
<p> </p>
<p> </p>
<p style="font-size: 14px;"> </p>
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