out 17

Como a crise do sistema financeiro teve seu início nos EUA e me afeta, quer eu queira, quer não, resolvi conceder-me o direito de meter o bedelho no processo eleitoral daquele país. É certo que não influenciarei em nada o resultado. Afinal, nem votar lá, eu voto! Mas opinar é gratuito, saudável e necessário, não é mesmo?
Eu escolho Barack Obama para presidente.
Por quê?
A começar pelo fato de ele ser fisicamente diferente. Um presidente americano negro! Quem diria?
Quebrar a monotonia, fazer as águas moverem-se e as pedras rolarem.
É evidente que esse tipo de posicionamento pode nos fazer cometer sérios equívocos. Veja o caso do Lula: eu votei no petista em seu primeiro mandato. O metalúrgico, barbudo, nordestino, com seu dedo mínimo “transparente”, era uma escolha inevitável para alguém que, como eu, prefere correr o risco de votar em criaturas exóticas. Um risco imenso!
Por esse motivo, a diferença física do presidente americano padrão, por sí só, não basta. O Obama parece um sujeito equilibrado, inteligente. Estarei enganado?
Eu só vou acreditar que o Barack será realmente eleito quando o fato estiver consumado: após seu discurso de posse! Até lá, é bom que ele ande equipado com um belo colete à prova de balas, de preconceitos e de denúncias duvidosas.
Da mesma forma, só terei a certeza de que o torneiro mecânico que eu ajudei a eleger em seu primeiro mandato não se candidatará a um terceiro quando começar a campanha para a eleição presidencial de 2010, e outro candidato tiver sido escolhido pelo PT.
Do jeito que as coisas andam, com o Lula recebendo um apoio tão intenso da populacão e elogiando os imperadores e faraós com seus poderes absolutos mundo a fora, para o constrangimento de seu ministro das relações exteriores, fica difícil crer que ele vá abrir mão do poder. Estarei enganado?

Barack Obama

Barack Obama

set 11


Sempre que chega essa época de eleições políticas me lembro do Robin Hood. Aquele sujeito que roubava dos ricos para dar aos pobres. O personagem lendário avesso à política oficial, até por não ter liberdade para fazer outra coisa que não fosse trabalhar na obscuridade.
Será que se fosse eleito Robin Hood continuaria a ser herói? Provavelmente não!
Mas, caso pudesse eleger-se, por exemplo, xerife de Notingham, como seria sua campanha? Colocaria-se como Salvador da pátria? Defenderia uma mudança imediata e radical em “tudo que está aí” (lá, naquela época)? Beijaria criancinhas? Comeria buchada de bode? Movimentaria as mãos de forma decorada, roboticamente como o ministro Tarso Genro, ou em movimentos amplos como o do senador Pedro Simon? Seria popular como o Lula? Persistente como o Maluf? Empertigado como a Marta?
Será que Robin trocaria a companhia do bom frei Tuck pela dos bispos? Faria um conchavo com o príncipe João? Sim, porque em política o fim justifica os meios. Criaria cargos públicos para seus companheiros de guerrilha?
Acho que eu passaria a ter um pé atrás com Robin Hood, caso ele se candidatasse a um cargo político.
Bem, essa ilustração do Robin Hood eu fiz há alguns anos atrás, para a capa de um livro do Pedro Bandeira, publicado pela Quinteto Editorial. Aproveito para publicá-la aqui e lembrar de um herói que eu sempre gostei, mas que certamente não teria estômago para a política partidária.

Robin Hood

Robin Hood